De quem é o sangue que as redes sociais têm nas mãos? – 18/10/2020

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De quem é o sangue que as redes sociais têm nas mãos? - 18/10/2020 1


Enquanto assistíamos assustados, mas não surpresos, ao documentário “O Dilema das Redes Sociais”, da Netflix, a veras esfregava na nossa rosto que o filme pegou ligeiro com Facebook, Twitter, Google e companhia. Difícil imaginar porquê, finalmente, o longa expõe o lado mais nefasto dessas plataformas: a arrojada máquina de manipulação de comportamentos que gira para esmigalhar vontades e gerar lucro.

Por outro lado, quem assiste ao filme sai com a sensação de que as redes sociais têm controle de tudo. Mas é isso mesmo? Parece que não. Há algumas semanas, surgiu Sophie Zhang. A ex-funcionária do Facebook denunciou a preterição da empresa no controle de perfis falsos. Horrorizada com sua participação em tudo isso, ela indicou que o descaso produz consequências muito reais: “Tenho sangue nas mãos”. Se você tem conta em alguma rede social, deve estar se perguntando: sangue de quem?

O que rolou?

Recorrendo a pontos batidos e a visões originais, o documentário pinta as redes sociais porquê:

  • Plataformas únicas na história da humanidade em haurir a atenção de seus consumidores. Para isso…
  • … Elas criam recursos para prender você a todo dispêndio, enquanto extraem a maior quantidade provável dos seus dados pessoais. Assim…
  • … Conseguem traçar uma prévia do seu comportamento. Com isso, dizem a empresas exatamente porquê você se portará no horizonte e ganham um bom moeda vendendo anúncios. Mais que isso…
  • … Elas dispõem de estímulos para instituir que você aja de um jeito e não de outro. O chocante, porém, é que…
  • … Esse mecanismo funciona, seus gestores sabem disso e o colocam à disposição de quem remunerar.

Por que é importante

Sim, o Facebook mudou, ainda que você não perceba, sua maneira de interagir com familiares, amigos, cultura, política e por aí vai. Mark Zuckerberg sabe disso. Qual a proposta no filme? Silencie o celular, desative as notificações, saia das redes.

Diante da extensão do poder político e da capilaridade dessas companhias em nossas...

vidas, chega a ser juvenil sugerir que dar as costas ao problema será suficiente para resolvê-lo. A solução, conforme pessoas que levam a coisa a sério, é discutir o desmembramento desses impérios, forçá-las a remunerar outras indústrias ou impedi-las de monitorar seus usuários.

Ainda que “O Dilema das Redes” tenha acordado em dimensionar porquê são gigantes essas companhias, o documentário nequice ao dar a sensação de que elas podem mudar sua trajetória quando quiserem. Não podem. E é esse o terror trazido pelo desabafo Sophie Zhang.

Não é muito assim, mas está quase lá

No memorando divulgado internamente, mas publicado pelo Buzzfeed, Zhang conta porquê é falho a remoção de perfis falsos no Facebook. Segundo ela, o problema é muito maior do que a capacidade de atuação da rede social. Com seus mais de 2 bilhões de usuários, o site virou um transatlântico grande demais para desviar de alguns icebergs.

Você já viu esse filme antes. E há vários transatlânticos destes navegando por aí. YouTube, Instagram, WhatsApp, Gmail e vários outros são usados por mais de 1 bilhão de pessoas. Todos estão à mercê de quem quiser usar a arrojada máquina de esmigalhar vontades. E isso tem sido feito por governos e outros agentes políticos. Quando Zhang fala em sangue, ela está sendo literal. A desinformação já levou a linchamentos da Índia ao Brasil, além de ter interferido na política da Bolívia aos Estados Unidos.

O Facebook até diz que tem uma equipe de especialistas “para impedir que pessoas mal intencionadas abusem as nossas plataformas”. Zhang era uma dessas especialistas. Quando ela sugeriu intensificar os esforços para impedir que esse “injúria” afetasse as eleições, ela ouviu que “os recursos humanos são limitados”.

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