Universalizar a banda larga em 4 anos é um enorme desafio, “presidenta”!
Universalizar o serviço de Internet banda larga,”mais barato, mais rápido e seguro”, nos próximos 4 anos. Essa promessa da presidente Dilma Rousseff, ao falar de infraestrutura durante o discurso da posse do segundo mandato presidencial, feito no Congresso Nacional, é um enorme desafio! E talvez em um prazo longo demais para fazer com que o Brasil volte a figurar entre as economias emergentes mais promissoras.
Nosso país deve terminar 2014 com mais de 180 milhões de acessos banda larga. Os últimos números oficiais, da Telebrasil, são do fim de outubro: 179,1 milhões. A banda larga móvel (3G e 4G) liderou a expansão dos acessos à internet, chegando em outubro a 155,3 milhões de conexões, com 54% de crescimento em relação a outubro de 2013. Reflexo do recorde de venda de smartphones! Foram 15.1 milhões de celulares inteligentes vendidos no país entre os meses de julho e setembro de 2014, segundo a IDC. O que nos leva a crer que vamos superar em muito a previsão inicial de 70 milhões de smartphones vendidos no ano, considerando a explosão de vendas na Black Friday e no período do Natal.
Nas projeções da consultoria Teleco, o 3G já é hoje a principal tecnologia de celular do país. O Brasil deve terminar o ano com mais de 7 milhões de celulares 4G. Os Smartphones devem representar mais de 80% dos telefones celulares vendidos. A receita de dados das operadoras móveis deve ser superior a 30% do total da receita de serviços no ano.
Ritmo lento
De outubro de 2013 até outubro de 2014, 56,7 milhões de novos acessos foram ativados, segundo a Telebrasil, em um ritmo de ativação de 1,8 nova conexão por segundo. Para universalizar em quatro anos será preciso andar mais rápido e subir a velocidade da banda larga popular dos atuais 1Mbps para, no mínimo, 2 Mbps, hoje a velocidade mínima para um boa experiência com vídeo, cujo uso cresce de forma acelerada na Internet. Não vai ser fácil!
2014 foi considerado uma ano apenas regular por 39% dos que responderam a enquete anual realizada pela consultoria Teleco. Resultado semelhante ao apresentado em 2012 e 2013. A queda na avaliação do desempenho do setor está associada à redução na taxa de crescimento dos principais serviços de telecomunicações do Brasil. A queda na taxa de crescimento anual nos últimos três anos foi maior no celular pré-pago, naturalmente. Mas aconteceu também nos demais serviços, incluindo a banda larga fixa. É claro que a manutenção do percentual das taxas de crescimento depende do avanço da banda larga em municípios de baixa rentabilidade e, consequentemente, baixa competitividade.
Brasileiros conectados
Em 2013, pela primeira vez na série histórica de pesquisas do IBGE e do Comitê Gestor da Internet, a parcela da população usuária de Internet ultrapassou 50%”. Nos últimos dois anos houve grande crescimento de acesso por parte de brasileiros da classe C e D, principalmente através do celular, mas 24,2 milhões de domicílios com renda familiar de até dois salários mínimos ainda estão desprovidos de acesso à Internet.
Apesar do crescimento entre a população, considerando apenas os domicílios com acesso à Internet em 2013, somente 43% estão conectados, correspondendo a 27,2 milhões em números absolutos. A maioria dos domicílios sem acesso à Internet está em regiões com baixo IDH e em áreas rurais. Locais pouco atraentes para as operadoras, que também andam discutindo com o governo se as fibras ópticas que instalam são ou não bens reversíveis para a união. Os cabos de cobre eram, e já que os serviços de comunicação são concessão, as fibras também seriam, na opinião de alguns. Mas esse não é o pensamento das teles.
Os investimentos em fibra óptica pelas teles fixas têm trazido insegurança regulatória, segundo disse meses atrás o então presidente da Anatel, João Rezende em entrevista à Ana Paula Lobo, do Convergência Digital. Em setembro de 2014, o Brasil somou apenas 857.376 mil acessos em fibra, segundo dados da própria Anatel, o que responde a 3,62% dos acessos banda larga.
De acordo com a UIT, a cada 100 habitantes, temos apenas 10,1 assinaturas de banda larga fixa, ficando na 73ª posição mundial. Somos batidos por países como México (11,1), Chile (12,3), ou Rússia (16,6). Com relação ao percentual de domicílios com acesso à rede ficamos 34º lugar com 42,4%. Perdemos para Chile (49,6%), Uruguai (52,7%) e Argentina (53,9%). Mesmo em internet móvel, estamos na 37ª posição, atrás da Tailândia e de Botsuana.
Perdemos também no percentual absoluto de pessoas conectadas à rede. Nessa disputa o país fica em 74º lugar, com 51,6%, perdendo para Colômbia (51,7%), Venezuela (54,9%), Uruguai (58,1%) e Argentina (59,9%).
A urgência
A universalização é urgente, porque a economia está se digitalizando. As grandes chances de crescimento econômico estão nos serviços em nuvem, no Big Data, nas Cidades Inteligentes, no comércio eletrônico, na publicidade digital. Em 2015, ouviremos falar cada vez mais em Internet das Coisas. Para que ela seja realidade no Brasil, precisamos de infraestruturas de comunicação de dados, fixa e móvel, de qualidade, baratas, rápidas e seguras, como disse a presidente.
O jovem brasileiro conectado acredita no potencial da internet no desenvolvimento de projetos, no estímulo à inovação e no desenvolvimento da carreira profissional, segundo o estudo Juventude Conectada, realizado pela Fundação Telefônica em parceria com o Ibope Inteligência, o Instituto Paulo Montenegro e a Escola do Futuro – USP com o objetivo entender o comportamento do jovem brasileiro na era digital.
Dos jovens pesquisados, 51% entendem que é possível ganhar dinheiro trabalhando ferramentas da Internet, e 34% pensam em usar a internet para desenvolver um negócio próprio. Iniciada em maio de 2013, a pesquisa entrevistou 1.440 jovens, da classe A à D, de todas as regiões do Brasil, entre 16 e 24 anos. Portanto, jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho. Como eles, há muitos ainda distantes da Internet, que poderiam ter suas condições de vida mudadas por ela.
Estudos comprovam que aumentar a velocidade da banda larga pode impactar positivamente no Produto Interno Bruto (PIB) de um país, aumentando em 0,3% ao ano.
O interesse
Além disso, a Internet já é um dos principais meios de comunicação do brasileiro. O que muito interessa ao governo.
Os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet que na frente da TV, segundo a Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada em meados de dezembro, pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet nos dias de semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana.
Já a média de tempo assistindo a TV é de 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.
A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais
O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.
Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias.
O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana.
De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).
O compromisso
A sorte está lançada.
Como brasileira que usa e trabalha em segmentos da nova economia digital, torço para que a universalização da banda larga chegue antes do prazo estipulado por Dilma.
Em quatro anos a economia digital já terá crescido muito e o Brasil não pode continuar perdendo posições nos rankings internacionais de competitividade.
Como bem lembra o amigo Ronaldo Lemos, há a possibilidade de a banda larga ser transformada em serviço de telecomunicações, que por sua vez é prestado em “regime público”. Isso permitiria ampliar os canais de investimento público nas esferas federal, estadual e municipal para expandir a rede, bem como estabelecer metas para sua universalização. Outra possibilidade seria a aplicação de recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) para levar a internet para um número maior de municípios.
As políticas ainda estão indefinidas, mas o fato é que banda larga é item indispensável para o crescimento econômico de um país.
A citação do compromisso de universalização do acesso no discurso de posse é auspiciosa. Tomara que saia do papel!
Fonte:Circuito De Luca