Startup usa gravações de som para detectar vazamento de chuva – Link


Ao longo das últimas duas décadas, o aplicativo Shazam se tornou uma arma na mão dos fãs de música: com ajuda de lucidez sintético, o serviço era capaz de identificar qual melodia estava tocando em som envolvente, informando ao usuário seu nome e tradutor. Agora, uma startup brasileira, a Stattus4, utiliza uma tecnologia parecida para um problema muito mais terreno: detectar vazamentos de chuva em tubulações.  

Chamada de 4Fluid, a tecnologia da startup precisa do auxílio de um dispositivo específico para deslindar se há qualquer problema nos encanamentos. É um aparelho pequeno, constituído por uma medial de processamento e uma longa haste, que pode ser inserida no hidrômetro. Com capacidade semelhante à de um ouvido humano, o dispositivo pode gravações de muro de 10 segundos de áudio das tubulações. 

Marília Lara, fundadora da Stattus4

Depois, os ruídos são enviados para a plataforma de computação na nuvem Azure, da Microsoft, e analisados junto à base de dados da empresa, que contém mais de 700 milénio gravações de ruídos de tubulações em bom estado de funcionamento. Com isso, o algoritmo da empresa faz uma “varredura acústica” em procura de sons que diferem do padrão das amostras e processam se há vazamentos e onde são os pontos de incidência. 

“As empresas que distribuem chuva têm dificuldade de contratar especialistas em acústica para entender esse rumor. Com a nossa plataforma, é provável fazer a varredura de forma automática”, explica Marília Lara, presidente executiva da Stattus4. “A ‘peneirada’ que nosso sistema dá reduz as visitas a campo dos especialistas para muro de 2% dos casos.” A empresa estima que a tecnologia pode trazer economia de até 70% para seus clientes.  

 Ao Estado, Marília afirma que a tecnologia é capaz de indicar com 99% de acerto que um ponto não tem vazamento. Ou por outra, o sistema tem 65% de precisão nas situações indicadas porquê problemáticas. 

Técnico da Stattus4 usa dispositivo da empresa em campo

Histórico

Fundada em 2017, a empresa de Sorocaba (SP) já opera em mais de 28 cidades do país, atendendo áreas onde vivem aproximadamente 7 milhões de habitantes. A tecnologia atende o estado de São Paulo, Rio de Janeiro e algumas cidades no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. Desde 2018, a 4Fluid já ajudou seus clientes a economizarem pelo menos 15 bilhões de litros de chuva – o equivalente a respeito de seis milénio piscinas olímpicas.  

Para faturar, a empresa vende aos clientes uma licença de aproximação ao sistema, cobrada pela utilização de cada coletor. Dona de uma equipe de 17 pessoas, a startup trabalha ainda no desenvolvimento de um segundo sensor, que poderá ser fixado em cavaletes d’chuva e hidrômetros. O aparelho poderá medir pressão, consumo de chuva e pode fazer a coleta de dados em tempo real, enviando dados para a nuvem via radiofrequência ou NB-IoT, um sistema de transmissão de dados pela internet semelhante ao 4G.

Neste momento, a Stattus4 procura sua primeira rodada de aportes com fundos de investimento. Antes disso, contou com investidores-criancinha e pedestal da Instalação de Esteio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Parque Tecnológico de Sorocaba e da Baita, aceleradora de startups sediada em Campinas. A startup procura ainda profissionais para áreas de desenvolvimento de software, lucidez sintético e engenharia de saneamento. 

*É estagiária, sob supervisão do editor Bruno Capelas





Fonte