Quem foi o gênio que inventou a lava-louças?
Pergunta de Pamella Hein e Rodrigo Serafino, de Itapecerica da Serra (SP) – quer enviar uma pergunta também? Clique cá
Antes de responder ao querido par, quero deixar registrada a sugestão para que essa pouco conhecida inventora sobre a qual vocês perguntaram seja declarada (com perdão aos devotos de Santa Efigênia) porquê a padroeira de todos os lares —ou do isolamento social forçado pela pandemia da covid-19.
Abençoada seja a americana Josephine Garis-Cochrane, que legou ao mundo, em 1886, essa engenhoca que lava os pratos e a espírito de quem deixou de remunerar penitência na pia graças à sua imaculada concepção.
A originalidade veio de família: Josephine era neta de um dos inventores do navio a vapor, o americano John Fitch. Aos 44 anos, ela ficou viúva e, do pouco patrimônio que lhe restou, as porcelanas começaram a faltar, quebradas entre uma lavada e outra.
Para se livrar do serviço maçante e preservar seus pratos e outras peças frágeis de cozinha, Josephine chamou o mecânico ferroviário George Butters para ajudá-la a elevar e automatizar uma teoria patenteada por Joel Houghton em 1850: uma máquina de lavar-louças de madeira movida à manivela.
Josephine e George revolucionaram o processo de lavagem instalando uma roda de metal com compartimentos para encaixar a louça dentro de uma caldeira de cobre. Um motor girava a roda expondo os utensílios à ação de muito sabão e chuva quente —com segurança para quem estivesse por perto e para a integridade da louça. Foi a primeira máquina que usava somente a pressão da chuva, em vez de esfregação, para fazer a limpeza.
Patente (nº 355,139) descrevendo a primeira máquina de Cochrane
Imagem: Reprodução
A lava-louças automática foi exibida e premiada na Expo Mundial de Chicago, em 1893. Nas demonstrações, o público via 240 peças entrando sujas na máquina e saindo porquê novas em exclusivamente dois minutos. Aliás, nove máquinas foram usadas em cafés e restaurantes dentro da feira.
O sucesso foi tanto que Josephine criou uma empresa, a Garis-Cochran Dish-Washing Machine Company, para atender os clientes. A princípio, o dispêndio era cima e praticamente exclusivamente hotéis e restaurantes compraram a teoria.
O pregão da invenção de Josephine chamava a atenção para “a única máquina utilizada na Expo Mundial” de Chicago, em 1886. Além de exposta, a lava-louças também foi usada por restaurantes da feira
Imagem: Reprodução
A popularização do invento só veio depois da morte de Josephine, em 1913. Treze anos depois, já sob o nome de Cochran’s Crescent Washing Machine Company, a empresa dela foi comprada pela Hobart Manufacturing Company, que seguiu tocando a risco mercantil. Em 1949, com chuva quente em todas as residências dos EUA, a Hobart passou a vender lava-louças domésticas com o selo Kitchen Aid. Deem uma olhada no pregão a seguir:
O sucesso foi tanto que estima-se dois terços dos lares americanos tenham uma lava-louça —na Europa, essa média é de 48%.
E para quem ainda possa estar relutando em ceder o lugar na pia para uma máquina devoradora de robustez elétrica e de chuva, saiba que depois de mais de 100 anos de modernização, a coisa ficou até ecologicamente correta: se você levar para lar os modelos mais modernos, vai poupar na chuva (26,5 milénio litros por ano), em boletos (R$ 580 por ano) e ainda vai ter mais tempo livre (dde dias por ano).
Agora me deem uma licença, dileto par, que estou para instalar aquela lava-louças que me doaram. Agradeço piamente a vocês e à santa Josephine pela perdão alcançada.
Fontes: United States Patent and Trademark Office, The National Inventors Hall of Fame, Energy Technology Systems Analysis Program (ETSAP), da International Energy Agency (IEA) e Energy Star.
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