O mistério sobre Werner Heisenberg, o físico que ganhou o Nobel pela invenção da mecânica quântica – 10/05/2020

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O mistério sobre Werner Heisenberg, o físico que ganhou o Nobel pela invenção da mecânica quântica - 10/05/2020 1


A duvida persiste: Heisenberg era um vilão que queria impulsionar o projeto de explosivo atômica nazista ou um herói que queria impedir que tanto os Aliados quanto os países do Eixo obtivessem uma arma desse porte?

“Agora já estamos todos mortos, é verdade, e o mundo só se lembra de mim por duas coisas: o princípio da incerteza e por uma misteriosa visitante a Niels Bohr em Copenhague em 1941. Todos entendem do que se trata a incerteza. Ou acreditam que sim. Ninguém entende por que fui a Copenhague.”

Com essas palavras entra em cena Werner Heisenberg na aclamada obra Copenhague, do dramaturgo inglês Michael Frayn, que imagina o que pode ter realizado em um dos encontros mais controversos da história da ciência.

Sabemos a data e o lugar. Era setembro de 1941, quando a Alemanha estava em um ponto cimeira de sua ofensiva militar, com a maior secção da Europa ocupada, a França derrotada, o Tropa britânico expulso da Europa continental e os Estados Unidos tecnicamente neutros.

O lugar era a capital dinamarquesa sob ocupação nazista. Os personagens eram dois físicos que haviam mapeado e explorado o universo quântico dentro do corpúsculo e que, juntos, haviam revolucionado o mundo da física.

Ambos com prêmio Nobel de Física. Bohr, em 1922, “em reconhecimento por seu trabalho sobre a estrutura dos átomos”. Heisenberg, em 1932, “pela geração da mecânica quântica”.

O dinamarquês de progénie judia e o luterano teuto tinham 16 anos de diferença de idade e vidas profundamente entrelaçadas nos âmbitos pessoal, intelectual e profissional, até aquele dia de 1941.

Sabemos que o encontro se encerrou abruptamente, e que Bohr ficou enfurecido.

Heisenberg foi um físico que deixou o mundo com o princípio da incerteza, mas também um mundo de incertezas sobre seus princípios.

A principal delas é: ele era um vilão que queria tirar proveito de seu relacionamento próximo com o dinamarquês em prol do projeto de explosivo atômica nazista ou um herói que queria impedir que tanto os Aliados quanto os países do Eixo obtivessem uma arma desse porte?

O princípio

Niels Bohr habitou um mundo idílico da ciência no início do século 20, quando ideias fluíam sem fronteiras em uma missão conjunta de superar os limites do conhecimento.

Era uma atmosfera repleta de luminares. Estavam ali o pai da física nuclear, Ernest Rutherford, o fundador da teoria quântica, Max Planck, e a maior estrela, Albert Einstein.

O envolvente foi sacodido na Primeira Guerra Mundial, quando a ciência serviu porquê uma arma. Mas não se desfez e até durou um pouco mais. Um exemplo mais notório foi o contrabando de cópias do cláusula sobre a teoria universal da relatividade que Einstein apresentou em 1915 em Berlim a cientistas aliados. E o indumentária de que, para testar a teoria do investigador boche, o governo britânico financiou durante a guerra uma expedição para fotografar um eclipse solar em 1919, a pedido do astrônomo Arthur Eddington.

Em 1924, Heinsenberg aceita o invitação de Bohr para trabalhar em Copenhague e herda os benefícios dessa atmosfera, com um relacionamento entre a dupla que ia além da relação entre um mentor e um aluno talentosos.

No contexto pessoal, o aluno foi se transformando em secção da família do professor.

No projecto profissional, ainda que tenham feito descobertas importantes em separado, o trabalho conjunto foi imprescindível para o sucesso deles.

Os princípios

O resultado foi luzidio. Em 1927, Heisenberg publica seu “Princípio da Incerteza”, que afirma que a posição exata de um elétron dentro do núcleo atômico em um oferecido momento não poderia ser determinada com certeza, mas exclusivamente ser calculada estatisticamente dentro de uma certa verosimilhança.

Sua invenção foi fundamental para a física quântica.

Naquele momento, Bohr havia desenvolvido seu princípio de complementaridade, no qual incorporou a física de Heisenberg à sua, e propôs que o aparente caos do mundo quântico e a ordem do universo fundamentado na física clássica não eram mutuamente exclusivos, mas complementares entre si de uma maneira que ainda teríamos que compreender e explicar.

Na opinião do físico teórico americano John Wheeler, leste foi o “concepção científico mais revolucionário deste século”. Mas nem todos viam desta maneira.

Porquê lembrou o físico teuto Max Born em seu exposição de corroboração do prêmio Nobel de Física em 1954, houve uma dramática repartição entre famosos físicos quânticos, alguns em profunda divergência.

“O próprio Max Planck estava entre os céticos até sua morte, e Albert Einstein (Nobel de Física de 1921), Louis-Victor de Broglie (Nobel de Física de 1929) e Erwin Schrödinger (Nobel de Física de 1933) não deixaram de ressaltar aspectos insatisfatórios da teoria.”

A discordância não dizia reverência exclusivamente ao princípio da complementariedade, mas também ao da incerteza formulado por Heisenberg.

Diante da descrição do mundo quântico em que certezas foram substituídas por probabilidades, Einstein proferiu sua famosa frase: “Deus não joga dados”. E Bohr, uma menos famosa: “Einstein, pare de manifestar a Deus o que fazer”.

Uma disputa entre titãs que, no início do século 20, virou o universo, mostrando-o primeiro porquê alguma coisa relativo e depois porquê um pouco confuso.

Seus princípios

Mas enquanto no universo intelectual os ataques que põem teorias à prova são necessários, os golpes em ideias por razões políticas raramente têm consequências positivas.

O princípio da incerteza de Heisenberg sobreviveu...

às críticas e acabou sendo adotado por quase todos membros da comunidade de físicos.

No entanto, a subida do nazista Adolf Hitler na Alemanha provocou uma chocante supressão da pesquisa e do conhecimento científicos.

Mesmo antes de chegar ao poder, a “novidade física”, a da relatividade e da incerteza, estava ligada à impureza e ao judaísmo, e os cientistas alemães hostis a ela exigiam uma física “ariana”.

Porquê explica o Bohr imaginado pelo dramaturgo Michael Frayn. “Os alemães se opuseram sistematicamente à física teórica. Por quê? porque a maioria dos que trabalhavam nesse campo eram judeus. E por que eram tantos judeus? Porque a física teórica, a física que interessava a Einstein, Schrödinger, Pauli e nós dois sempre foi considerava subalterno à física experimental na Alemanha, e as cátedras teóricas eram as únicas as quais os judeus podiam acessar.”

De indumento, o antissemitismo europeu não começou com Hitler, nem esperou que ele se manifestasse no mundo científico, mas quando ele começou a apinhar poder e, ainda mais, quando o alcançou, em 1933, aproveitou um terreno já arado.

Os nazistas logo proibiram todos os judeus de trabalhar para o Estado germânico ou em funções porquê professores universitários, causando um êxodo do maior talento científico do mundo para nações que estavam de braços abertos, porquê os Estados Unidos.

Heisenberg não se juntou ao partido nazista e foi inicialmente considerado simpatizante dos judeus por sua adesão à “física judaica” de Einstein e Bohr.

Mas ele era um patriótico teuto devotado e participou dos exercícios militares de sua unidade de suplente. Patriótico, se apegou à teoria de que poderia ajudar sua terreno natal e acreditava que Hitler poderia não ser tão ruim quanto parecia.

Por isso, ele se recusou a deixar a Alemanha porquê um protesto simbólico contra o regime nazista e sua atitude em relação à pesquisa científica, ignorando apelos de colegas internacionais.

O fim

Ironicamente, com deflagração da Segunda Guerra Mundial, o regime nazista começou a valorizar os possíveis usos da física teórica que tanto desprezou por questões ideológicas e racistas.

Lise Meitner, uma das judias que tivera fugir dos nazistas, continuou a colaborar à intervalo com o químico Otto Hahn, que lhe enviava informações sobre experimentos com urânio.

No Natal de 1938, na Suécia, Meitner e o sobrinho Otto Frisch analisaram os dados e confirmaram a ocorrência de uma fissão nuclear.

A informação foi divulgada a Bohr, que a trouxe para os Estados Unidos e, em janeiro de 1939, em uma conferência de física na Universidade George Washington, foi anunciada publicamente que a possibilidade de dividir o corpúsculo e liberar quantidades incontáveis de pujança por meio da fissão nuclear estava agora ao nosso alcance.

Teoricamente, era provável edificar uma explosivo atômica.

Em abril de 1939, se estabeleceu o primeiro “Uranverein”, ou Clube do Urânio em boche. Cinco meses depois, na invasão da Polônia, o Escritório de Artilharia do Tropa Germânico assumiu o programa de pujança nuclear a término de explorar possíveis usos militares.

O segundo Uranverein era um sigilo estatal e militar, das quais principal teórico era Heisenberg. Ele ainda era quando visitou Bohr em 1941 na Dinamarca.

O desfecho dessa história é alguma coisa que físicos e historiadores continuam a debater até hoje, apesar das milhares de páginas escritas sobre o tema.

Durante muitos anos, uma epístola de Heisenberg para o responsável Robert Jungk era tida porquê uma das melhores fontes. Fragmentos da correspondência aparecem no livro Mais resplandecente do que milénio sóis: uma história pessoal dos cientistas atômicos.

Nela, Heisenberg explica que sua intenção era convencer os cientistas nucleares de ambos os lados da guerra a impedir o desenvolvimento de uma explosivo atômica afirmando aos dirigentes de seus países que dificuldades técnicas e econômicas tornavam essa tarefa impossível no horizonte repentino.

O físico boche afirmou que pretendia informar a Bohr que os nazistas sabiam que a fissão nuclear era provável, mas que ele estava em uma posição de convencê-los do contrário. E que queria que Bohr convencesse os cientistas aliados a fazer o mesmo.

Com um convenção tácito, a comunidade internacional de física poderia cooperar para salvar o mundo dessa arma horroroso.

Bohr sempre refutou essa versão da reunião.

E em 2002, em resposta a uma novidade rodada de debates acadêmicos sobre o misterioso encontro desencadeado pela apresentação da peça do dramaturgo Frayn em 1998, a família de Bohr divulgou diversas cartas que ele havia escrito a Heisenberg, mas não chegou a enviar.

Nelas, Bohr descreve uma história dissemelhante: durante a visitante de Heisenberg, ele sentiu que o jovem se gabava não exclusivamente da próxima vitória da Alemanha mas também de sua capacidade de edificar uma explosivo atômica em um horizonte próximo.

Segundo Bohr, a intenção de Heisenberg era convencê-lo a ajudar os alemães, enfatizando a verosimilhança de vitória alemã. E pior ainda, ele tentara desonrá-lo, tentando fazê-lo repassar informações sobre o esforço nuclear dos Aliados.

Uma versão descreve Heisenberg porquê um herói que tentou salvar o mundo do pesadelo atômico; a outro, um vilão que queria tirar vantagem de um camarada para prometer a vitória da Alemanha de Hitler.

Bohr entendeu falso Heisenberg? Ou Heisenberg cometeu um erro grave e depois mentiu para se redimir?

Será que os nazistas não conseguiram fabricar uma explosivo atômica porque Heisenberg deliberadamente frustrou o projeto ou simplesmente porque, apesar de seus esforços, não sabia porquê fabricá-la?

Nunca saberemos.



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