O horizonte do trabalho

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FOTO: Cecilia Coelho

Há pelo menos 200 anos o trabalho tem se transformado continuamente por conta da automatização e mecanização. Essas mudanças, por sua vez, costumam vir acompanhadas da preocupação com o muito-estar dos trabalhadores no presente e no horizonte: será que a automatização vai gerar desemprego em tamanho?

Se olharmos para o pretérito, a epílogo universal é que não: desde a revolução industrial, as sucessivas transformações na produção têm sido capazes de gerar empregos de maneira mais ou menos alinhada com o aumento populacional e, ao mesmo tempo, as condições básicas de vida, porquê aproximação a saneamento imprescindível e expectativa de vida, têm desenvolvido. De outro lado, no entanto, esse não foi um processo indolor: muitos profissionais especializados se tornaram obsoletos e desequilíbrios localizados geraram ondas de desemprego e instabilidade ao longo do processo. Ainda assim, esse material até pouco tempo detrás era considerado fora da tendência, já que em termos macroeconômicos o problema nunca se materializou.

Os recentes avanços na robótica e na lucidez sintético, no entanto, têm trazido novo ânimo a essas preocupações, e não há mais um consenso tão evidente sobre a questão. Em nome da redução de custos e do aumento na produtividade, a maioria das atividades laborais tem sido cada vez mais analisada e padronizada, com a definição de processos rígidos abrangendo do soalho de fábrica à contabilidade, da venda do ingresso à orquestração da trilha sonora de um filme, da correção ortográfica à pesquisa em bases de dados sobre legislação em uma petição lítico. Essa definição de processos em conjunto com o progressão tecnológico previsto para as próximas décadas são o combustível para um ímpeto rumo à automação que deverá abraçar praticamente todas as categorias profissionais. Ironicamente, são os melhores trabalhadores, aqueles que conseguem definir com mais precisão os processos mais eficazes para realizarem suas tarefas, que serão mais facilmente substituídos por qualquer tipo de agente automatizado. Se, logo, o trabalho muito organizado deverá ser automatizado, o que deve sobrevir com o trabalho realizado por humanos?

Teve início ontem em San Francisco o Red Hat Summit, evento promovido pela Red Hat para matrimoniar clientes, parceiros, a comunidade de...

software livre e a própria Red Hat. Com murado de seis milénio participantes, o evento é realmente imponente, porquê são imponentes também as parcerias da Red Hat em diversos projetos: Dell, Intel, SAP e outras empresas de porte participam ativamente, apresentando seus projetos envolvendo software livre em conjunto com a Red Hat.

A brecha do evento ficou a incumbência de Jim Whitehurst, diretor-executivo da Red Hat, que falou justamente sobre o potencial transformador da tecnologia na sociedade. Para Jim, o paradigma do trabalho hoje descende diretamente da revolução industrial, que deu origem ao taylorismo e às técnicas de gestão baseadas em estruturas hierárquicas com partilha clara de funções. E, segundo ele, assim porquê fomos capazes de inventar essas soluções para a questão do trabalho quando da mecanização promovida pela segunda revolução industrial (no início do século XX), precisamos fazer o mesmo agora, na aurora dessa “quarta revolução industrial” em que a automatização deverá ser estendida a praticamente todas as áreas, quando o trabalho talhado aos humanos será, cada vez mais, o trabalho criativo.

A chave para esse processo, no seu ponto de vista, está na colaboração. Entre os exemplos da influência da colaboração, Jim citou o trabalho de Faraday, que sempre discutiu amplamente suas ideias, o que acabou por dar origem às equações de Maxwell que, por sua vez, foram a chave para avanços porquê o motor elétrico e o rádio. Para ele, a solução de problemas não pode mais permanecer a função de um punhado de gestores: cada vez mais, indivíduos ou mesmo empresas isoladas não vão ter condições de mourejar com as grandes questões que queremos resolver. Por isso, a comunidade de empresas focadas hoje no software livre e trabalhando em conjunto, mesmo sendo concorrentes, fornece uma réplica do que está por vir.

Talvez essa seja uma visão um tanto idílica de um horizonte turbulento; me parece muito evidente que os desafios que temos avante porquê sociedade não serão fáceis. Não sei se o software livre e a colaboração, por si sós, são a chave para uma sociedade melhor, mas certamente podem ser troço importante no processo. A questão é saber se vamos escolher esse caminho.

* Nelson Lago é gerente técnico do CCSL-IME/USP

Com informações de (Manancial):Código Aberto