Nem tudo são flores…

FOTO: Jan

É bastante evidente que, atualmente, a informática faz troço da vida de quase todos nós. E, ao longo do processo pelo qual ela foi se introduzindo no nosso cotidiano, foi mudando também a forma com que nos relacionamos com ela: se inicialmente os computadores eram “trambolhos” que tomavam uma mesa e eram usados para atividades de escritório e, talvez, alguns jogos, com o tempo eles se tornaram portáteis, depois celulares, e seu uso foi se voltando cada vez mais para a informação. Mas esse processo ainda não terminou: hoje a computação está cada vez mais pervasiva, presente em quase todos os ambientes, e essa tendência deve continuar com as novidades da chamada “Internet das Coisas”.

Um bom exemplo dessa pervasividade são os carros mais sofisticados, porquê os atuais Tesla. Talvez haja uma desvantagem nisso tudo: se intercorrer uma nequice, será que dá para invocar um mecânico ou é melhor recontar com um engenheiro profissional? O mesmo acontece com vários outros produtos chamados inteligentes, porquê smart TVs, relógios com GPS, drones e vários equipamentos mais sofisticados, dos quais intensidade de complicação é enorme. Mas não acho que isso seja um problema, já que, com os fatores de graduação e o barateamento das tecnologias, mesmo que haja um cima intensidade de sofisticação os preços envolvidos não são extremamente altos.

No entanto, há um outro problema com a popularização do do dedo: a nossa relação com o “texto autoral”, mais uma vez, está mudando.

Em alguns serviços, porquê NetFlix ou Spotify, não há prejuízo qualquer ao cliente, pois há o recta de alugar filmes e músicas por um valor mensal; com o término da assinatura, termina também o recta a novos aluguéis. Esse padrão é uma extensão do que já existia com as antigas videolocadoras.

Nos casos de livros, música, jogos ou filmes comprados digitalmente, o tema é um pouco mais complicado. Por exemplo, se compramos um livro envoltório dura, podemos vender, presentear ou doar o livro depois a leitura pois, porquê se compra um objeto físico, é provável repassar a propriedade facilmente. Mas o que ocorre no caso de um jogo baixado para seu vídeo game predilecto? Porquê você pode fazer para vendê-lo? Porquê fazer para emprestar para um colega um livro que você comprou na versão do dedo? Mesmo que, em alguns casos, essas ações sejam possíveis, elas não são tão simples e envolvem a colaboração do fornecedor, que passa a ter aproximação aos dados de todas essas operações de repasse.

Sim, há facilidades que vêm com as versões digitais, porquê não precisar ir mais à loja, receber o que foi comprado quase imediatamente e, em universal,ter uma imitação de segurança. Mas será que essas vantagens justificam que o preço seja quase o mesmo (com raras exceções), sendo que o concepção de propriedade mudou? A resposta não é trivial e pode depender de pessoa a pessoa, mas ao menos é bom saber onde se ganha e onde se perde.

* Alfredo Goldman é Professor de Ciência da Computação no IME/USP e diretor do CCSL-IME/USP

Com informações de (Manancial):Código Aberto