A quantidade de empresas que hoje oferece tecnologia e serviços para compra, targeting, gestão e entrega de publicidade online no mercado mundial está colocando os analistas em alerta vermelho. O cenário é altamente fragmentado e complexo e, garante muita gente grande do setor, está à beira de um terremoto. Ou, em termos mais “amenos”: em vias de ser encolhido por fusões e aquisições ou quebra de empresas.
O entusiasmo em torno do tema levou muitas empresas de venture capital a colocar dinheiro num sem número de startups no ano passado. Mas agora a fonte secou e muitas empresas de ad tech não são lucrativas. É gente demais fazendo as mesmas coisas e a previsão é óbvia: o mercado vai encolher, por bem ou por mal. Sem combustível, as empresas ou vão fechar ou vão começar a ser compradas.
No início do ano, um post da LUMA Partners, empresa do especialista Terry Kawaja, comparava um dos famosos cenários LUMAscape mostrando que a diferença entre dezembro de 2010 e dezembro de 2012 era que 53 empresas tinham sido compradas, mas em compensação outras 74 novas tinham aparecido, e isso apenas na área de Display! “Não me entendam mal, mas a falência de algumas dessas empresas é bem-vinda. Já passou da hora delas fecharem. Não precisamos de uma oitava empresa de ad exchange”, dizia Kawaja no post.
Em 15 de maio, David Bell, presidente emérito do Interpublic Group e senior advisor da AOL, relacionou a explosão populacional das ad tech startups como uma das barreiras ao crescimento da publicidade digital. Os comentários foram feitos durante o evento Thought Leadership Summit, da AOL, sobre publicidade e tecnologia.
Bell foi bastante enfático: “Os dólares que voavam para o cenário de ad tech diminuiram. Aquelas companhias que ainda não lançaram seus IPOs e que estão gerando menos de 10 milhões de dólares de receita vão ter problema em conseguir mais dinheiro. Haverá uma onda de consolidações e algumas empresas vão simplesmente fechar. Os benefícios dessa simplificação são gigantescos”.
O site Digiday publicou hoje um excelente artigo sobre o tema, citando um estudo liberado pelo banco de investimentos Coady Diemar Partners, chamado Digital Media, Information & Technology M&A Review. No estudo, o banco analisa o movimento em fusões e aquisições (M&A) na área de Digital Media, Informação e Tecnologia, apontando um crescimento de quase 40% em número de acordos na primeira metade de 2013 comparado com o mesmo período de 2012.
Foram 856 acordos em 2013, contra 613 na primeira metade de 2012. Em valores, as transações representaram 61,8 bilhões de dólares em M&A até agora em...
2013, comparadas com 64,4 bilhões de dólares no mesmo período de 2012, queda de 4%. O que mostra que o dinheiro está encolhendo e os famosos valuations de empresas digitais ficando bem mais “pé no chão”. Mas, segundo o banco, ainda é um cenário otimista pois o valor total de transações de M&A globais em 2013 está 9% menor que no mesmo período de 2012.
Os três mercados mais ativos em número de transações, segundo o estudo, foram Agency & Marketing (192 deals), Information (164 deals) e Digital Content (145 deals). Esses foram os mesmos três setores mais ativos durante a primeira metade de 2012. E os três mercados mais ativos em valores foram Digital Content (24 bilhões de dólares); Software (14 bilhões de dólares); e Information (11,8 bilhões de dólares), também os mesmos de 2012.

Tabela dos acordos e valores de M&A de 2013 e 2012 – Fonte Coady Diemar Partners
O setor de Ad Tech & Services, segundo o estaudo da Coady Diemar, dobrou o número de transações de M&A de 2012 para 2013 (de 17 para 34 deals) e multiplicou por sete o valor de dinheiro envolvido (de 163 milhões de dólares para 1,2 bilhão), mas representou, no total da pizza de negócios, apenas 2,1% do dinheiro transacionado.
“As pessoas pensam que ad tech é quente, mas na realidade estamos vivendo uma carnificina no mercado”, diz Sundeep Chanana, especialista em mídia digital do banco de investimentos Waller Capital. “Para cada empresa bem sucedida temos literalmente 35 ou 40 empresas que estão sangrando dinheiro e não conseguem levantar capital ou encontrar um comprador. Um bocado desses caras vai desaparecer ou vai ser engolido por preços muito abaixo das expectativas.”
Segundo a Digiday, agências de publicidade, os principais clientes dessas empresas de tecnologia concordam. Em conversa com vários executivos do setor, a principal afirmação é que há muita superposição entre essas empresas, todos fazendo mais do mesmo e competindo por atenção. Apesar do crescimento contínuo do mercado de publicidade digital, o mercado não consegue suportar tantos players, diz o artigo. Consolidar é inevitável.
Fonte:Futuro do presente