Hackers em São Paulo

FOTO: The Preiser Project

Depois do da semana passada, fiquei sabendo de outras duas histórias similares, essas no Brasil. O interessante desses casos é a forma lúdica com que os autores expuseram suas experiências, mas na veras esse tipo de coisa é muito generalidade dentro das comunidades voltadas à segurança: relatos de falhas descobertas por terceiro permitem aos programadores emendar seus programas, de preferência antes que um atacante tire proveito delas.

Você talvez esteja pensando “ah, esses hackers são um problema!”, mas vale a pena lembrar que a termo hacker, na sua origem, tinha um significado dissemelhante do que a maioria das pessoas conhece hoje: “hacker” era alguém extremamente qualificado em alguma espaço (não exclusivamente computadores!) e, portanto, capaz de resolver problemas muito difíceis usando soluções criativas. É um tanto óbvio que, para invadir um sistema de segurança sofisticado, é preciso ser um “hacker” e, por isso mesmo, a termo acabou ganhando a conotação mais popularmente conhecida hoje, que equivale a “programador do mal”.

Muitos na comunidade de software execram o uso da termo com esse significado e defendem a frase “cracker” porquê mais adequada. Eu, particularmente, considero que a língua é viva (creio que poucos no Brasil sequer conheciam o termo há meros 30 anos) e que as palavras não exclusivamente mudam de significado porquê comumente têm mais de um sentido (às vezes até contraditórios). Por conta disso, não vejo problemas em usar “hacker” para escolher ambas as coisas, o que me permite manifestar que são justamente os hackers (do muito) que são capacitados a dificultar as ações dos hackers (do mal): saber mais sobre segurança de computadores é tornar-se um hacker!

O mundo hacker, de maneira similar ao do software livre, envolve comunidades de desenvolvedores que se encontram pessoalmente ou online para aprender e se divertir. E, porquê em toda comunidade, às vezes há eventos maiores, com palestras e outras atividades. São Paulo receberá, nos próximos dias 11 e 12 de junho, um evento desses, a primeira edição da BSides na América Latina, focada em segurança da informação e cultura hacker. Os temas envolvem criptografia, defesas contra tipos específicos de ataques, drones, spam e muitos outros. O evento é totalmente gratuito, com recta a sarau no sábado à noite e churrasco no domingo. Se você se interessa por segurança da informação e o conhecimento aprofundado da computação, não perda essa oportunidade de saber outras pessoas porquê você!

* Nelson Lago é gerente técnico do CCSL-IME/USP

Com informações de (Nascente):Código Aberto