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Mundo afora, milhões de casais estão trancafiados em suas próprias casas. E enquanto isso tem ocasionado situações preocupantes (porquê o aumento da violência doméstica na América Latina), há sem dúvidas um lado bom para os pombinhos. Passar mais tempo junto é inevitável e depois de terminar todas as séries da Netflix, bom, talvez não esteja passando zero na TV… e vocês terminem na leito. Várias vezes. Mas esse sexo pandêmico pode ter alguma consequência? Daqui a nove meses a gente vai ver o resultado no mundo todo? É o que pesquisadores ao volta do mundo estão tentando desenredar.
Há quem diga que não:
A pesquisa mais recente sobre o tema saiu semana passada. Um grupo de cientistas da Universidade de Florença resolveu investigar se uma visitante em tamanho da cegonha podia ser esperada em breve. E a reposta foi não. Pelo menos para os casais que estavam planejando ter um bambino por perto nos próximos meses.
O estudo ouviu 1.482 pessoas e 1.214 delas (81%) cravou que não tinha a menor intenção de conceber uma gaiato nos próximos tempos. Mais do que isso: 268 entrevistados (37%) desistiu dos planos de ter um fruto por enquanto, justamente por culpa do corona.
Dá para entender. A justificativa bate justamente nos dois pontos que mais preocupam a gente hoje: quantia e saúde. 58% dos correspondentes afirmaram que o motivo de evitar ter crianças agora é a instabilidade financeira que o mundo está vivendo. A Organização Internacional do Trabalho já estimou que pelo menos 195 milhões de pessoas percam o tarefa por culpa do corona. De trajo, não é a melhor idade para ter mais uma boca para cevar. Também 58% (os entrevistados podiam escolher mais de uma opção) dos participantes afirmaram que evitaria uma gravidez enquanto não houver certeza de quais efeitos essa pandemia poderia ter sobre a maternidade. Justíssimo.
Olhar para a história com atenção também nos ajuda a entender porque esse momento é tão único, especificamente no quesito de filhos pós-sinistro.
Um estudo que procurou entender o boom de crianças depois da gripe espanhola na Noruega...
deixa isso evidente: houve, de vestimenta, um aumento no número de bebês, mas isso aconteceu porque a doença em questão matava muitas crianças. “Provavelmente isso acarretou com que casais tivessem novos filhos para substituir os que foram perdidos”, afirma na desenlace Svenn-Erik Mamelund, pesquisador da Universidade de Oslo e responsável pelo estudo.
Mesmo em relação aos baby boomers, crianças que nasceram depois a Segunda Guerra Mundial, um paralelo pode ser aventuroso. Em entrevista ao Valor, José Eustáquio Diniz Alves, professor jubilado da Escola Pátrio de Ciências Estatísticas do IBGE, explica que há uma diferença brutal entre o pretérito e o presente: a evolução dos métodos contraceptivos. “Com essa incerteza toda, a feracidade vai continuar caindo em 2021, vai desabar mais ainda em todos os países do mundo”, afirmou.
Mas há quem diga que sim:
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Isso, no entanto, se refere à gravidez desejada. No mundo dos acidentes, a história pode ter alguns outros contornos.
A própria ONU já se mostrou preocupada com o ponto. O Fundo Populacional da Organização produziu um estudo que prevê que até 47 milhões de mulheres ao volta do mundo fiquem sem aproximação a métodos contraceptivos por conta da pandemia. A relação se daria pelo fechamento de estabelecimentos de saúde, subtracção nas fábricas e distribuição de medicamentos e métodos – além do simples pavor de transpor na rua impedir que camisinhas e remédios sejam adquiridos. Sete milhões de crianças nasceriam desse problema.
O problema pode romper mesmo em países ricos, porquê na Inglaterra. O Serviço Britânico de Aconselhamento sobre Gravidez também já afirmou que está esperando “picos” de grávidas nos próximos meses. Mais uma vez por conta da falta de aproximação a métodos contraceptivos.
Nesse contexto, é difícil prever o que vai intercorrer com muita precisão. O que dá para fincar é que, cada vez menos gente quer ter um fruto em meio ao corona – ao mesmo tempo, está ficando difícil se prevenir. Ou seja, tente comprar uma camisinha na próxima ida (de máscara) ao mercado. Vai te ajudar mais do que qualquer um pode prever por enquanto.