Especialistas em tudo acabam sendo especialistas em zero
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Nunca se teve tanta facilidade para comprar conhecimento porquê nos dias de hoje. Existem muitas plataformas gratuitas ou pagas com imensidão de conhecimento nas mais diversas áreas. Você não precisa transpor de morada para aprender, por exemplo, em cursos das melhores universidades do mundo.
Em contraponto, nunca houve tanta pressa. Pressa para tudo. Quem nunca comprou ou se inscreveu em cursos, mas não chegou a terminar (ou até mesmo encetar) porque ia demorar muito ou logo porque já estava correndo com outras coisas da vida.
Tem um filme interessante de comédia chamado “Os Estagiários” que retrata dois adultos entre seus 40 e tantos anos passando por um processo de seleção da Google, competindo contra pessoas de 15 a 25 anos. Sim, o filme tem os seus exageros, mas é ótimo para passar o tempo.
Um pouco muito interessante retratado ali é a angústia de pessoas que chegaram aos seus 20 ou 25 anos de idade e que ainda não foram muito sucedidas na vida. A nossa dimensão vende uma ilusão de que você tem que aprender tudo e saber tudo até seus 25 anos, senão você está de fora. Basta ver uma revista conhecida brasileira que há pouco tempo estampou em sua envoltório que programadores são pessoas “de 25 anos” muito sucedidas no trabalho.
Porquê já comentei cá em outros textos, eu sou professor. Tenho oferecido lição para as novas gerações que estão entrando na espaço de T.I. e que sofrem também com a impaciência. Várias vezes vejo a impaciência em perguntas sobre o que deveriam aprender antes de entrar na faculdade, que cursos deveriam fazer em paralelo à universidade, quantas linguagens deveriam aprender, quantas das tecnologias “top” devem saber… O apelo e a pressão é cada vez maior.
Alguma coisa que tento sempre ensinar é: Vá com calma! Um passo de cada vez! Respeite o seu tempo, se você aprende rápido, multitarefa, tudo muito. Se você aprende lentamente, uma coisa de cada vez, tudo muito também. Ninguém nunca vai saber tudo na T.I., é impossível. Nossa dimensão cresce num ritmo exponencial, você não tem porquê dominar diferentes áreas. Você pode saber a reverência de diferentes áreas, mas não vai dominar todas elas.
Vida de Programador
A tirinha supra veio de um diálogo onde eu estava envolvido. A empresa havia contratado uma pessoa que se dizia perito em todas as linguagens de programação (sério) e os chefes acreditaram (sério)… Tem um velho ditado de onde eu venho que diz que “só existe uma forma de você saber programar em 20 linguagens de programação, é só você não ser realmente bom em nenhuma delas”.
Você vai se especializando em um pouco em sua curso. Às vezes você escolhe, mas em muitas das vezes você é levado até uma determinada extensão onde vai se especificar. Isso é bom, isso envolve experiência além do estudo. Você estuda a reverência de alguma coisa e aprende até um determinado ponto, mas se torna bom somente com a prática e a repetição. Cá se encaixaria muito uma metáfora de esportes para falar de treinamento, mas vamos revelar que nem eu nem você somos tão bons em esportes… 😉
Portanto, não existem especialistas que são especialistas em tudo. A própria termo “perito” já demonstra uma especificação de conhecimento em um pouco, você foca e aprende muito uma certa coisa, mesmo que seja um objecto pequeno.
Eu vi uma tirinha da Mafalda, uma vez, mas eu não a encontrei para postar cá, onde ela está falando com o camarada. Acho que é o camarada quem está contando um pouco mais ou menos assim: “Meu tio fez a graduação em história, depois fez mestrado em história do Brasil, depois fez o doutorado em história da Guerra de Canudos.” Logo ela disse um pouco porquê: “Logo, quanto mais ele estudava, menos ele sabia?”
É essa a teoria. Saiba um pouco sobre muitas coisas e saiba muito sobre algumas. Se especialize na sua extensão, se destaque e seja feliz. (E não acredite em quem se diz profissional em tudo)
E não esqueçam o álcool gel.