Fundador do ChatGPT viaja pelo mundo pedindo regulação e desvelo com excessos – 26/05/2023


Do Brasil à Nigéria, passando por Europa e Ásia, Sam Altman, CEO da OpenAI e instituidor do ChatGPT, está percorrendo o mundo para tranquilizar sobre os riscos da Lucidez Sintético (IA) e comunicar contra projetos regulatórios talvez excessivamente restritivos.

Dezesseis cidades, cinco continentes, encontros face a face com chefes de Estado, palestras em universidades e até uma aparição na reunião do grupo Bilderberg, o recatado clube de líderes políticos e econômicos mundiais, em Lisboa, na semana passada. Esse é o impressionante edital do “OpenAI Tour”, porquê chamou a empresa californiana.

O passeio ilustra o status de guru mundial da Lucidez Sintético que Sam Altman, de 38 anos, conquistou em seguida o sucesso relâmpago de seu chatbot ChatGPT.

Agora, porém, precisa responder aos temores que a novidade tecnologia provoca: desinformação, fraude eleitoral, devastação em tamanho de empregos, plágio e violação de recta autoral e até mesmo ameaço global para a humanidade.

A premência de respostas é urgente, já que Europa e Estados Unidos estão estudando a regulação do setor, várias personalidades pediram em março uma pausa nessas pesquisas, e a Itália suspendeu o ChatGPT por três semanas por uso não consentido de dados pessoais.

No sábado pretérito (20), os países do G7 decidiram gerar um grupo de trabalho a reverência e, em Bruxelas, o comissário europeu Thierry Breton sugeriu lançar rapidamente um pacto sobre Lucidez Sintético (IA).

Sam Altman explicou no Twitter que planejava se reunir com usuários e reguladores durante sua turnê.

Sua campanha de sedução começou pelos senadores americanos, com sua ida ao Congresso, em 16 de maio, onde causou surpresa ao exclamar: “me regulem!”. Tomando a frente, declarou que o que mais o assusta é que a IA possa motivar “danos significativos ao mundo”. Nesse sentido, propôs a geração de uma filial reguladora mundial.

Ele também considerou que muitos empregos podem ser criados e destacou os riscos de uma regulação muito rígida, já que, “se a indústria dos EUA desacelerar, a China, ou qualquer outro, poderá continuar mais rápido”.

No dia seguinte, o executivo viajou para o Rio de Janeiro e, depois, seguiu para Lagos (Nigéria) e para Lisboa. Esta semana, visitou Madri, Londres, Paris, Varsóvia e Munique. Suas próximas paradas serão Tel Aviv, Dubai, Novidade Délhi, Singapura, Jacarta, Seul, Tóquio e Melbourne.

“Messias”

Pelas cidades por onde passa, Altman repete seu exposição, que mistura otimismo e aviso, para tentar convencer de que a IA não escapará do controle humano.

“No [grupo] Bilderberg, dava um pouco de temor”, comentou um participante. “Também prometeu estar procurando um país para instalar sua sede europeia”, acrescentou.

Em Paris, Varsóvia e Madri foi recebido porquê se fosse um director de Estado. Reuniu-se com o presidente galicismo, Emmanuel Macron, e com os chefes de governo polonês e espanhol, Mateusz Morawiecki e Pedro Sánchez, respectivamente ? todos ansiosos para aproveitar esta oportunidade econômica, embora lembrando a premência de estabelecer um controle.

No Rio, no Museu do Amanhã, defendeu a premência de regular, mas insistiu em que espera que o ChatGPT ligeiro a “um progressão científico real” e “melhore a vida das pessoas”. Das mãos do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que estava entusiasmado, recebeu simbolicamente as chaves da cidade.

Em uma universidade da Nigéria, Altman prometeu um florescimento de startups e tentou refazer a imagem da OpenAI, que recorreu a trabalhadores africanos “baratos” para treinar o padrão de linguagem do aplicativo.

Em Londres, porém, sua chegada gerou menos consenso. Na University College havia uma fileira de alunos ansiosos para ouvi-lo, mas também um protesto com um punhado de participantes.

“Não devemos permitir que bilionários do Vale do Silício com multíplice de messias decidam o que queremos”, declarou um estudante.

Enquanto isso, Sam Altman advertiu que o OpenAI pode “deixar de operar” na União Europeia, se o horizonte regulamento impuser limites demais.

“Vamos tentar [nos adaptar a isso], mas há limites técnicos para o que é provável”, disse ele à revista Time, acrescentando que tem “muitas” críticas ao projeto de regulação europeu.

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© Agence France-Presse



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