Coronavírus não se espalhou por culpa do 5G; veja por que história é falsa – 01/03/2020
À medida que o coronavírus se espalha pelo mundo, fica cada vez mais difícil descobrir informações verdadeiras sobre a doença. Agora uma notícia falsa vem se espalhando em alguns grupos de Facebook da Europa que são contra o 5G. De conciliação com alguns usuários da rede social, o coronavírus é resultado da exposição dos seres humanos a frequências dessa rede de telefonia.
O tal vídeo, que vem sendo compartilhado em grupos porquê Stop 5G UK, com mais de 27 milénio membros, foi postado no YouTube pela usuária Dana Ashlie. Com 57 minutos, o vídeo tenta convencer que a frequência usada no 5G ataca o sistema imunológico das pessoas, deixando-as suscetíveis ao Covid-19.
De entendimento com o vídeo, uma das principais evidências está relacionada ao epicentro da doença: a cidade de Wuhan, na China. Segundo a publicação, a metrópole de murado de 11 milhões de habitantes foi a primeira da China a implementar a tecnologia 5G, semanas antes de o surto se iniciar.
Mas, a implementação do 5G não se deu somente em Wuhan, mas sim em 16 cidades chinesas, praticamente ao mesmo tempo. Isso joga a teoria por terreno, já que em nenhuma lugar da China o surto foi tão grande quando em Wuhan.
Outra teoria da conspiração sobre a frequência do 5G e o coronavírus é relacionada ao navio de cruzeiro Diamond Princess, que está aportado em quarentena por conta do surto. Segundo os relatos, o navio usa 5G em sua conectividade.
Frequência já usada
Os casos foram inicialmente associados ao mercado público de frutos do mar de Wuhan. Mas essa teoria foi descartada, e cientistas agora apontam que a transmissão do coronavírus ocorre por gotículas com vírus expelidas por pessoas infectadas.
Só por essas informações já seria provável descartar as notícias falsas relacionadas à frequência 5G. Mas, o que muitas pessoas que compartilham a teoria não sabem é que essa frequência já é usada em muitos outros lugares,e há muito tempo.
“As implantações de 5G que estão ocorrendo tanto na China quanto na Europa usam a frequência de 3,5 gigahertz, a frequência usada para receber a TV pela parabólica. Quer expressar, são frequências que já são usadas normalmente pela população há muitos anos, logo não tem sentido nenhum essa ‘fake news'”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria de telecomunicações Teleco.
Tude atribui esse tipo de informação a algumas “culturas obscurantistas” que são contra o progressão da tecnologia. “Existem pessoas, por mais que tenhamos um celular há 30 anos e todos usarem, que acham que faz mal. Esse pessoal fez isso no 3G e no 4G. Quando aparecem novas tecnologias, eles argumentam para confirmar sua visão”, diz.
De concórdia com o biomédico Renato Sabbatini, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, o 5G não traz nenhum risco.
“A potência do 5G vai ser muito menor (com relação ao 4G), logo a possibilidade de efeitos sobre a saúde, que já não existem, será menor ainda. Todas as faixas de radiofrequência são do tipo não ionizantes, ou seja, elas não têm potência suficiente para quebrar relações moleculares. A pujança que essas radiofrequências usam é suficiente exclusivamente para aumentar a temperatura, porquê ocorre no micro-ondas”, explica.
“O nível de exposição que a população está exposta é muito ordinário. Não se comprovou epidemiologicamente qualquer efeito dessas radiações sobre a saúde humana”, completa.
Além de a frequência não afetar os seres humanos, não existe nenhuma possibilidade de ela conseguir transmitir vírus. “Você transmite o vírus quando espirra, quando coloca a mão infectada em qualquer objeto. Agora, transmitir por radiofrequência um organização não tem porquê. Não existe a possibilidade”, diz Sabbatini.
A frequência do som até conseguiria movimentar um vírus, mas por milímetros. “Uma poeira com vírus suspenso, em uma intensidade muito grande de som, pode ser que seja deslocada por milímetros. Logo, não tem a menor chance de ser transmitido”, afirma. “Transporte de vírus por rádiofrequência não existe. É uma invenção de qualquer gozador que quer provocar pânico”, finaliza o médico.
Tilt também entrou em contato com o Sindicato Pátrio de Empresas de Telefonia e de Serviço Traste Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), que afirmou que “não existe nenhum fundamento na interdependência entre o coronavírus e tecnologias móveis, incluindo o 5G”.
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