No final do filme “Aliens, O Resgate”, de 1986, a personagem interpretada pela atriz Sigourney Weaver usa uma armadura mecânica gigante para derrotar a rainha estranho. O engenheiro canadense Jonathan Tippett nunca esqueceu da cena. Mas não pela guerra e sim pela dinâmica da armadura, chamada de Power Loader no filme.
“Nós todos já vimos brigas milhões de vezes, o Loader que era legítimo”, diz ele. Três décadas e meia depois, esse fascínio se transformou em veras. Tippett é o nome por trás do Prosthesis, uma espécie de aranha de quatro patas de metal que pesa quase cinco toneladas e é o protótipo do que ele pretende que se torne um novo esporte: corrida de mechas.
O termo nipónico mecha —ou mech, porquê também é chamado em inglês— se refere a armaduras mecânicas controladas por um piloto. Porquê no mangá “Evangelion”, nos filmes “Círculo de Incêndio”, ou o Megazord dos “Power Rangers”. Muita gente já tentou produzir alguma coisa semelhante, mas poucos produziram um que funcionasse de verdade.
Em 2017, por exemplo, Jeff Bezos, possuidor da Amazon e varão mais rico do mundo, apareceu em um evento dentro de um mecha chamado Method-2. No entanto, o bichão estava atado ao teto por correntes grossas e tinha mobilidade bastante reduzida. O Prosthesis, por outro lado, chega a ser desenvolto —o que se explica pelo modo porquê é dirigido.
Assim porquê geralmente ocorre na ficção, o mecha não é operado por qualquer tipo de joystick ou manche, mas responde aos movimentos do próprio piloto. Ele fica no que Tippett descreve porquê um “ninho acolchoado”, envolvido por um exoesqueleto com sensores que captam seus movimentos e os transmitem para cada uma das extremidades —as patas— do mecha.
Ao mesmo tempo, a máquina aplica uma resposta (feedback) de pressão no corpo do piloto para que levante entenda a resistência que as patas da armadura estão enfrentando.
Marco Terreno, pesquisador do Meio de Robótica da USP (Universidade de São Paulo), faz uma conferência do princípio com braços robóticos usados por médicos em cirurgias. “A medida que se faz um movimento, a transmissão desse movimento vai para as ações de comando e o robô executa ao mesmo tempo”, diz Terreno.
Apesar da menção aos robôs —difícil de evitar ao falar sobre esse tema—, Tippett explica que o Prosthesis não tem zero de robô. Na verdade, o nome original...
do projeto era “Prosthesis: The Anti-Robot”. “Um mecha, mormente um mecha de esportes, muito propositadamente não tem qualquer autonomia. É isso que faz dele um antirrobô”, afirma.
Na verdade, o canadense explica que secção do propósito do projeto está ligado a uma teoria de habilidade humana e maestria física, em um contexto em que máquinas autônomas já ocupam grande secção da nossa rotina.
“A corrida de mechas foi idealizada com os humanos no seu coração”, diz Tippett.
Sem peleja à vista
O engenheiro começou a trabalhar no que se tornaria o Prosthesis há quase 15 anos, em 2006. Dez anos depois, em 2016, a empresa canadense de engenharia Furrion investiu no projeto, o que resultou em uma novidade empresa chamada Furrion Exo-Bionics. Ainda que não exista uma data certa, Tippett acredita que a corrida de mechas pode ser lançada já em 2024.
Para ajudar no financiamento, em 2020 eles lançaram uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter —a meta de 20 milénio dólares canadenses já foi superada com folga. Para os apoiadores que doassem mais que 2.500 dólares canadenses, o prêmio era um dia de treinamento para aprender a pilotar o mecha.
Mas ainda que não-robôs gigantes disputando uma corrida seja animador, é difícil não imaginar outras aplicações para essa tecnologia. “Isso poderia beneficiar uma infinidade de outros setores, sem incerteza”, diz Marco Terreno, da USP. “Na própria construção social tem muito pouca coisa explorada, seria provável transportar cargas enormes com mais facilidade.”
“Nós usamos o esporte competitivo para impulsionar a tecnologia”, afirma Tippett. Segundo o fundador do mecah, esse caminho está ajudando a aprender as capacidades e limitações desse tipo de máquina, o que permitiria o desenvolvimento de aplicações em outras áreas. “A gente já aprendeu mais sobre aplicações de exoesqueletos em larga graduação nesse protótipo do que qualquer outra pessoa na história. Já conseguimos, por exemplo, resgatar dois carros enterrados na limo com o Prosthesis, o que nunca foi seu propósito.”
E as lutas com robôs gigantes, que já vimos milhões de vezes? Por enquanto, estão fora dos planos. Mas Jonathan Tippett, um ex-praticante de capoeira, abre uma única exceção:
“Capoeira e armaduras mecha talvez seriam a coisa mais maravilhosa do mundo, mas até lá a gente precisa melhorar muito a tecnologia.”