A tecnologia, Donald Trump e o mundo da pós-verdade
Quando comecei a grafar sobre empresas de tecnologia, em 2010, fui rapidamente seduzida pelo mundo das startups. Não fui a única. As startups surgiram porquê um símbolo anti-establishment. Os negócios capazes de mudar o mundo. Não uma mudança qualquer. O exposição era de que elas eram capazes de mudar o mundo para melhor.
A fala tornou-se tão clichê que foi usada inclusive para fazer humor em seriados porquê Silicon Valley, que tira sarro do estilo de vida no Vale do Silício.
Com a eleição “inesperada” de Donald Trump para a presidência dos EUA, porém, as startups e as grandes empresas de tecnologia – mormente o Facebook – tornaram-se o meio das atenções de todo o mundo. E não foi por terem tornado o mundo melhor.
Não se fala em outra coisa cá nos EUA a não ser a proliferação de notícias falsas dentro da maior rede social do mundo e a possibilidade de os algoritmos que destacam em nossas timelines assuntos com os quais nos identificamos terem nos disposto em uma bolha que nos impediu de ver o que realmente estava acontecendo.
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Dentro do Facebook todo mundo encontra qualquer texto que reforça sua visão de mundo. Isso acontece porque a rede social mostra no feed de cada pessoa agens que estão relacionadas, entre outras coisas, a páginas e s que a pessoa curtiu previamente. No contexto das eleições, esse padrão causou problemas.
Uma reportagem do BuzzFeed descobriu que uma indústria de notícias falsas foi criada em torno do Facebook. Eram sites que tinham o intuito de reproduzir notícias falsas com títulos chamativos e que apelavam para as emoções dos simpatizantes de Donald Trump.
Muitos eleitores com ânimos exaltados e pouca disposição para checar qualquer roupa compartilhavam essas notícias a exaustão e os muitos likes garantiam que eles veriam cada vez mais conteúdos similares.
O grande número de cliques e de compartilhamento desses conteúdos, por sua vez, gerava subida receita publicitária para os donos desses sites. Bom para eles, bom para o Facebook. Péssimo para o usuários.
O Facebook anunciou que mudou sua política de anúncios para trinchar a nascente de renda de sites mentirosos. A medida é importante, embora tenha chegado tarde. Tão tarde que deu tempo do léxico Oxford optar o termo “pós-verdade” porquê termo do ano.
Pós-verdade foi definido porquê “relativo a circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que emoções e crenças pessoais”.
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O Vale do Silício e o dilema Trump
A Califórnia, onde está o Vale do Silício, não gostou do resultado das eleições presidenciais. Por lá, alguns movimentos pedem que a Califórnia se separe dos EUA e torne-se independente. No meio disso tudo, um dos mais muito-sucedidos investidores do Vale do Silício, Peter Thiel, saiu em resguardo de Trump, doou milhões para sua campanha e tornou-se troço do time que conduz a transição de Trump para o governo.
Os dias em que o Vale do Silício era símbolo de um movimento dissemelhante, capaz de lutar contra o establishment ficaram para trás. Com o maduração da indústria de tecnologia, o que se vê é que pouco mudou no mundo dos negócios.
Empresas gigantes continuam dominando setores específicos e vivendo à base de modelos de negócio muito tradicionais porquê o da publicidade. O que elas inovaram foi em trazer novos produtos e serviços com base na tecnologia ao mercado.
Seduzidos por ferramentas “gratuitas” e as novas possibilidades que essas empresas trazem, nos jogamos nessas ferramentas mas não nos preparamos para os efeitos que elas vão trazer nas nossas vidas, não nos atentamos ao veste de que estamos pagando com nossos dados e abrindo nossas vidas para essas empresas, e não percebemos que precisamos nos reorganizar porque novas tecnologias exigem novas regras na sociedade e novas habilidades.
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Eu não quero expressar com tudo isso que a tecnologia é uma vilã culpada pelos males que vivemos no mundo. Pelo contrário, precisamos da tecnologia para trazer progresso.
O que precisa mudar é nossa relação com a tecnologia. Ainda hoje, tratamos a tecnologia com um evidente fulgência e distanciamento. Compramos o marketing que embala os produtos tecnológicos e esquecemos de questionar seus efeitos. Achamos que tecnologia é coisa para “nerds”, não para nós, mortais.
Não fosse pelo escândalo causado por Edward Snowden, por exemplo, provavelmente não estaríamos discutindo com a mesma profundidade a (falta de) privacidade dos nossos dados. Ainda assim, o problema se repete. Da mesma forma, hoje não sabemos quais as bases dos algoritmos que ditam o que vemos ou não nos nossos feeds de notícia e nos buscadores de texto.
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O que está por trás da era da pós-verdade
A geração que nasceu no mundo do dedo tem hoje dificuldades para enobrecer uma notícia falsa de uma verdadeira. Um estudo recente da Universidade de Stanford mostra que, nos EUA, jovens que estão no ensino médio e na graduação têm dificuldade para honrar texto jornalístico de texto patrocinado por anunciantes. Eles também apresentaram dificuldades para honrar fontes de informação verdadeira de fontes falsas.
Não adianta ter em mãos uma instrumento importante que nos dá aproximação a pessoas e notícias do mundo inteiro, porquê a internet, se o que vemos é filtrado por algoritmos e se perdermos a capacidade de honrar o que é verdade e o que é patranha. Há mudanças essenciais que precisam ser feitas para mudarmos o rumo que estamos tomando.
Os governos e a sociedade social precisam discutir políticas e e formas de apropriar nossa sociedade e nossa forma de viver para as mudanças trazidas pela tecnologia. A tecnologia vai automatizar 80 milhões de empregos nos próximos dez anos e cada vez mais, pessoas sem conhecimento em tecnologia serão excluídas do mercado de trabalho.
Mas se o ensino de programação e a ensino não são prioridade, porquê vamos suprir essa mão de obra? O que faremos com as pessoas que vão perder os empregos para a automação? Elon Musk já se pronunciou sugerindo a geração de um programa de renda básica universal. Porquê se discutir isso em um contexto de polarização no qual esse tipo de iniciativa é vista porquê coisa desse ou daquele partido e, portanto, involuntariamente descartada por metade da população que discute política porquê se discute esporte?
A prelo também tem sua culpa. Passou da hora de deixarmos de tapulhar tecnologia exclusivamente com foco em gadgets e empresas promissoras. A tecnologia hoje tem influência na política, nas cidades, na ensino, na cultura. Precisamos de mais jornalismo investigativo no setor para identificar abusos e questionar medidas que nem sempre colocam o usuário de tecnologia em primeiro lugar.
E, por término, as empresas precisam ser mais transparentes e mais comprometidas com valores que vão além do desenvolvimento de subida tecnologia e o retorno para os investidores e acionistas. É hora de resgatar aquele edital dos primeiros anos da sua startup, quando diz a mito que você estava em uma garagem, e relembrar do tal compromisso de tentar tornar o mundo um lugar melhor.
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Com informações de (Manancial):Ligia Aguilhar
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