A revolução da ensino do dedo [com infográfico]

Estou no aeroporto, fechado por culpa da neblina, à espera de que meu voo decole. O saguão de embarque está pleno, e há também famílias – incluindo idosos, bebês de pescoço e várias crianças de idades entre três e oito anos. Porquê entreter os pequenos diante de atrasos de mais de duas horas para qualquer voo? A resposta é muito fácil: com um tablet. Pais que se prezem hoje não viajam com crianças sem carregar o apresto entre os bichos de pelúcia, o travesseirinho predilecto e o carrinho de estimação.

De um lado, os que defendem que o excesso de tecnologia (TV, computador, tablet, smartphone) em tenra idade pode transformar as crianças, que “desaprenderiam” o valor de galhofar (mormente com outras crianças) e de ser criativas com poucos recursos, além de estimulá-las a uma vida mais ao ar livre, praticando atividades físicas. De outro, pais hightech que acreditam que a tecnologia faz troço da geração atual de bebês e que eles interagem de maneira instintiva com os equipamentos, ampliando sua visão de mundo desde muito novinhos, o que desenvolveria habilidades cognitivas.

A filha de oito anos de uma amiga me confidenciou há alguns dias que gostaria de ter um iPad e passou vários minutos escolhendo uma envoltório decorada com personagens de cartoons para o celular que ela nem tem. Essa geração de nativos digitais, que não sabe o que é a existência sem celular ou internet, tem argumentos muito sólidos para justificar por que querem os mais recentes gadgets do mercado.

“Vou poder estudar em qualquer lugar”, argumenta a moçoila (justificando o iPad), consciente de que a mobilidade e o “estar o tempo todo conectado” são realidades. A escola porquê a conhecemos está em jacente modificação. Porquê se dará a relação ensino-aprendizagem num horizonte próximo? O que motiva os alunos hoje? Porquê os professores podem se preparar melhor para as demandas crescentes de pais e alunos em um mundo regido pela tecnologia?

“O educador continua sendo importante, não porquê informador nem porquê papagaio repetidor de informações prontas, mas porquê mediador e organizador de processos. O professor é um pesquisador junto com os alunos e articulador de aprendizagens ativas”, diz José Manuel Moran, ex-professor de Informação na USP e pesquisador de tecnologias digitais na ensino. “Os professores podem ajudar os alunos incentivando-os a saber perguntar, a enfocar questões importantes, a ter critérios na escolha de sites, de avaliação de páginas, a confrontar textos com visões diferentes. Podem focar mais a pesquisa do que dar respostas prontas. Seu papel é mais superior, menos repetitivo e mais criativo do que na escola convencional”, avalia Moran.

Qualquer tentativa de pensar na ensino do horizonte necessariamente inclui tecnologia. Zero do que fazemos hoje está desvinculado disso. O grande erro, porém, é pensar que a tecnologia na ensino é um término em si.

O que vem de novo por aí

O caminho que a tecnologia traçou no meio educacional é sem volta. E já deu para perceber o seu efeito arrebatador, tanto em termos de conteúdos de aprendizagem porquê de formas de monitorar a evolução do aluno, tornando o processo de aprendizagem mais personalizado e eficiente.

Uma das iniciativas que está chegando ao mercado é a startup Picxies, cuja base são aprofundados testes online de perfil psicológico que desvendam as preferências de interação com o mundo, estilo de aprendizagem e perfil de conhecimento e trabalho em equipe, de alunos de todas as idades. O objetivo é utilizar a tecnologia para nortear, de um lado, professores e diretores na melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas ou privadas (monitorando os resultados individuais, de cada classe, de cada disciplina, da escola em confrontação com outras etc) e, de outro, jovens em escolhas profissionais mais acertadas, a partir da compreensão sobre a maneira porquê se relacionam, se interessam e reagem ao mundo, para que possam optar por caminhos que tenham a ver com seu temperamento, habilidades e competências.

Já a Crazy for Education, também uma startup, se apoia na tecnologia para outra proposta na dimensão educacional: funcionar porquê um banco de aulas de diversos professores, sobre diversos temas, em diferentes línguas. O professor interessado pode ar sua prelecção lá, gratuitamente, e os alunos pagam uma anuidade para ter recta a acessar todo o texto, a qualquer tempo. O princípio é o de flipped learning, ou “prelecção invertida”. A teoria é que o aluno assista vídeos, leia textos e execute exercícios e experiências antes de ir à escola, de negócio com um processo orientado pelo professor, e use o tempo da prelecção presencial para debater e tirar dúvidas em cima desse aprendizagem individual.

Porquê será a escola do horizonte

“Não adianta exclusivamente dispor de artefatos tecnológicos. Se você não sabe porquê usá-los, computadores, tablets e smartphones são exclusivamente um monte de ferramentas inúteis. Tecnologia é saber usar as ferramentas de que se dispõe, em procura dos melhores resultados”, ensina Carlos Seabra, consultor em novas mídias da Editora FTD.

O duelo das escolas hoje é combinar metodologia de ensino e tecnologia, com base no tripé competitividade, capacitação dos professores e gestão. Porquê diz Carlos Seabra, a tecnologia por si só não melhora ou piora a qualidade do ensino. É porquê um megafone – só amplifica. Nas mãos de um desentoado, não vai gerar nenhum bom resultado.

No ensino superior, os desafios não serão muito diferentes. O infográfico aquém, produzido pela Porvir, resume o que vai reger a ensino superior em um horizonte já muito próximo.

[por Mariela Castro]

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