A lei de Postel – Link

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A lei de Postel - Link 1


Jon Postel, pioneiro da internet, em seu escritório nos anos 1980

Jon Postel, pioneiro da internet, em seu escritório nos anos 1980

O formato da governança da Internet é sempre tema de debates e confronto de opiniões, mormente em tempos assim difíceis e complicados. Enfim, de que meios a sociedade deveria lançar mão para evitar os danos e riscos a que estamos expostos, enquanto preserva a urbanidade e a volta da boa discussão de ideias?  Tivemos há quatro dias um interessante pintura sobre o jornalismo neste cenário de muita tecnologia, concentração de poder e crescente polarização da sociedade.  Porquê evadir do caos e da barbárie que parecem nos espreitar?

Nesse debate é importante que se preservem os conceitos que fizeram da Internet o sucesso que é. Estes princípios eram presentes na definição de sua arquitetura, porquê inter-rede ensejo, livre e sem controle mediano, e de quem único requisito para a adesão é que as redes ingressantes implementem os protocolos técnicos definidos e adotem identificadores coordenados, para a funcionalidade do todo. Esse conjunto de protocolos é o TCP/IP, definido por Vint Cerf e Bob Kahn e oficialmente implantado em toda a Arpanet em 1 de janeiro de 1983.

É inquestionável a solidez técnica da solução adotada em 1983, haja vista sua resiliência e a capacidade de suportar um incremento de milhões de vezes na fardo de trabalho e capacidade de informação. Sobre essa estrutura aplicações são livremente criadas e oferecidas. Algumas, porquê a Web, ganharam tanta frase que por vezes são confundidas com a Internet em si. Outras provêm a seus usuários facilidades e atrativos que os mantêm em sua trajectória, fazendo-os olvidar da riqueza que...

também existe fora dos muros daqueles jardins. 

Assim, há que se honrar o que é a internet em essẽncia, cujos princípios e conceitos devem ser preservados e defendidos, das construções sobre ela, que prometem recursos e conforto, mas que também são nascente de abusos, de riscos aos usuários, além de representarem uma grande concentração de poder. Na ânsia de aplacar o que nos aflige, cuidemos em não propor “emenda que saia pior que o soneto”. 

Voltando ao que um camarada chamou de a belle époque da Internet, Jon Postel, um pioneiro da rede, enunciou em 1980 um princípio de robustez para o TCP/IP que acabou espargido porquê “a lei de Postel”: “para a rede se manter sólida e funcional, devemos ser conservadores no que fazemos, e liberais no que aceitamos dos demais”. É a própria definição de comportamento tolerante e sensato. Extrapolemos a “lei de Postel” para o comportamento dos usuários da rede e resultará que, se é claro que receberemos coisas indesejadas, falsas, ofensivas, até perigosas, de nosso lado, porém, deveríamos sempre agir de forma moral e contida.

Os fados, os ventos, as redes sociais, os ingressantes encantados com o poder de voz que a rede lhes trouxe, fizeram com que a sábia mensagem de Postel não exclusivamente fosse praticamente esquecida, mas que seu oposto ganhasse espaço e prevalência. A tendência hoje é falar desbragadamente sobre tudo e para todos, esperando que nossa voz ecoe e tenha o impacto que gostaríamos, ao mesmo tempo em que nos irritamos com o que recebemos, mormente se confronta nossa posição. Somos zelosos em não admitir o que chega até nós, e liberais no que enviamos aos demais. Prezamos nossa liberdade para falar o que for, para qualquer um, mas nos sentimos ofendidos e buscamos impedir que nos chegue o que não agrada. É esse mecanismo que inibe o debate de idéias e isola os  indivíduos detrás de muros e ilhas sociais radicalizadas.

É a “anti lei de Postel”, que trabalha pela barbárie. Recuperemos o sábio e construtivo espírito da lei original. 





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